O Fascismo Tupiniquim Ressurge do Inferno

Ao escolher o tema da edição desta semana me vi defronte a um dilema que muita gente já deve ter vivido. Qual é a melhor estratégia contra um inimigo: o ataque ou a indiferença? Quando uma amiga paulistana me alertou a respeito da realização de um congresso integralista em São Paulo no último fim de semana, a minha primeira vontade era de atacar. Com a cabeça fervendo de indignação, eu sentia que precisava escrever algo sobre o assunto. O integralismo é um movimento ultra-conservador, de extrema-direita. É uma espécie de fascismo tupiniquim, cujo lema é "Deus, família e pátria". O integralismo surgiu na Era Vargas em contraposição ao crescimento do comunismo no País. Por alguns anos, os integralistas, liderados por Plínio Salgado, tiveram o apoio do então ditador. Mais tarde, quando preteridos por Vargas, tentaram um fracassado golpe contra o Palácio Guanabara. Seus integrantes foram aprisionados e o movimento se esvaziou. Porém, tal como aqueles monstros do cinema americano que teimam em ressuscitar, eis que, em pleno século 21, com a democracia restaurada e o Brasil sendo governado por um ex-operário (ou talvez exatamente por isso) essa praga ressurge das cinzas distribuindo panfletos a convocar um congresso. Entre os palestrantes, estava previsto na programação o nome do eterno candidato à presidência da República, o nervosinho Enéas Carneiro, o homem que quer desenvolver a bomba atómica brasileira.

Antes de me sentar à frente do computador para extravasar toda a minha fúria, ocorreu-me a dúvida: não seria melhor ignorar esse assunto? O movimento integralista hoje deve ser composto de meia dúzia de gatos pingados. Então, por que se importar? Escrever sobre o tema significa dar-lhe propaganda. Talvez seja exatamente o que os integralistas desejam: aparecer na mídia, para conseguirem mais adeptos.

Pensando bem, esse texto não fará diferença alguma, nem contra e nem a favor do integralismo, se considerarmos que esta coluna é lida por algumas poucas centenas de pessoas por semana, a grande maioria de esquerda como eu e, portanto, já vacinada contra o fascismo. Todavia, não consigo ficar calado diante de algo que me incomoda tanto. Ver a semente do integralismo ser plantada novamente no Brasil é revoltante. Mandei a estratégia às favas e decidi escrever este texto. Para mim, faz diferença.

Não li nada sobre o congresso integralista na grande mídia. Terão os editores enfrentado o mesmo dilema que eu? Não creio. O mais provável é que nem ficaram sabendo da existência do tal congresso, pois, se soubessem, acho que o teriam noticiado. E se não ficaram sabendo é porque esse neo-integralismo ainda é um movimento pequeno e insignificante. Tomara que não passe disso.

P.S.: Apenas para citar uma das barbaridades contidas na página oficial do movimento integralista na Internet: eles dizem que não combatem o homossexualismo, apenas acham que se trata de uma "doença patolôgica e/ou psicolôgica".

Fernando Paiva



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