O escrachado glam rock nacional

Os anos setenta foram pródigos em produzir subgêneros do rock and roll. Um deles foi o glam rock, que teve expoentes clássicos como David Bowie, Sweet e, mais radical, New York Dolls. No Brasil, o gênero também teve seus representantes, com direito a purpurina e, em alguns casos, muito sucesso.

O mais destacado, em sucesso e vendagem, especialmente, foi o grupo Secos e Molhados. Com Ney Matogrosso à frente, foi uma espécie de Kiss à moda da casa, com trajes de índio, rebolados de Carmem Miranda e vocais de Ademilde Fonseca. Seu primeiro e clássico disco bateu Roberto Carlos em vendagens, com mais de um milhão de cópias vendidas, e arrastou multidões enlouquecidas aos shows pelo país.

Na mesma época, Rita Lee afastava-se definitivamente de sua origem musical com os Mutantes e flertava com o desencanado glam rock. Para isso, juntou-se ao grupo Tutti Frutti, que além do som, contribuiu com o visual baseado em cabelinhos escorridos, botas de cano alto e bocas rebocadas de batom. 'Atrás do porto tem uma cidade' foi o primeiro disco verdadeiramente solo de Rita e marcou o início de sua carreira no 'mainstream' da música pop brasileira.

O expoente máximo, mais radical e menos reconhecido do glam rock brasileiro, no entanto, foi Eddy Star, ex-parceiro de Raul Seixas e Sérgio Sampaio. Com um visual escrachado e um repertório variado, que incluía Haroldo Barbosa, música inédita de Roberto Carlos ('Claustrofobia') e Lupicínio Rodrigues, ele surgiu e desapareceu tão rapidamente quanto o glam rock no país. Seu único disco, lançado em 1975, continua inédito em cd.

Outro grupo que entrou na mesma onda foi o Casa das Máquinas. Embora depois tenha enveredado pelos caminhos do rock tradicional e do progressivo, o grupo estreou em disco com som e visual glam rock. Lançado pelo selo Som Livre, em 1974, o disco da banda do ex-baterista dos Incríveis, Netinho, trazia os músicos na capa com os rostos pintados, músicas com um pé no hard rock e letras "bicho-grilo".

Mais voltados para o hard rock tradicional, o paulistano Made In Brazil também teve seus momentos purpurinados, especialmente no disco 'Jack, o estripador', lançado em 1976. O vocalista e fundador do Made in Brazil, Cornelius Lúcifer, por sua vez, levou adiante o namoro com o glam em seu único disco solo.

Menos conhecida, a banda Quarto Crescente (do ex-Made in Brazil Percy, Tigueis, Horácio e Babalu) também deixou sua marca no gênero. Por um selo independente, o grupo lançou apenas um disco, com direito a meddley de Jovem Guarda e músicas próprias com levadas do clássico hard rock setentista.

Apesar de esquecidas em sua maioria, essas bandas deixaram plantadas raízes. Passados mais de trinta anos, bandas como Glamourama no Rio de Janeiro, Testículos de Mary em Recife e Savannah em Porto tentam ressuscitar o velho e afetado glam rock no Brasil do Século 21. Uma iniciativa que tem de positivo, além dos trejeitos e das roupas escandalosas, o fato de resgatar o rock and roll clássico e direto.

Senhor F - A Revista do Rock



Adicione seu banner aqui, em troca pedimos que coloque nosso banner no seu site.
Contato