Cássia Eller

1 DE JULHO

Eu vejo que aprendi e o quanto te ensinei
E é nos teus braços que ele vai saber
Não há porque voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que eu guardei pra ti
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues, não me tentes
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração
Baby, baby, baby, baby
O que fazes por sonhar
E o mundo que vira pra ti e para mim
Vamos descobrir o mundo juntos, baby
Quero aprender com o teu pequeno grande coração
Meu amor, meu amor

ADMIRÁVEL GADO NOVO

Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
E duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber

E ter que demonstrar sua coragem
A margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem te comer

Ê, ô, ô, vida de gado, povo marcado, e, povo feliz

Lá fora faz um tempo confortável
A vigiláncia cuida do normal
Os automoveis ouvem a noticia
Os homens a publicam no jornal

E correm atraves da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou

Ê, ô, ô, vida de gado, povo marcado, e, povo feliz

O povo foge da ignoráncia
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela

Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A Arca de Noe, o dirigivel
Não voam nem se podem flutuar

Ê, ô, ô, vida de gado, povo marcado, e, povo feliz

BETE BALANÇO

Pode seguir a sua estrela
O seu brinquedo de star
Fantasiando em segredo
O ponto aonde quer chegar
O teu futuro é duvidoso
Eu vejo grana, eu vejo dor
No paraíso perigoso
Que a palma da tua mão mostrou
Quem vem com tudo não cansa
Bete Balanço meu amor
Me avise quando for a hora
Não ligue para essas caras tristes
Fingindo que a gente não existe
Sentadas são tão engraçadas
Donas das suas salas
Quem tem um sonho não dança
Bete Balanço , meu amor
Me avise quando for embora

BLUES DO INICIANTE

Eu traco tantos planos
Brilhantes
Antes de te ganhar num salto mortal de iniciante
Na pirraca de te ter
Por enquanto
Por enquanto
Eu miro o indio que eu sou
No teu ser e alcanco
Viagens tão obvias
Loucuras tão sobrias
De um iniciante,
De um iniciante,
De um iniciante
Aprendiz das piscinas
Tão tingidas de escuro
Aonde peixe safo eu nado até você
Até o teu mundo
Que eu também procuro
Nesse quarto sem luz
Nessa ausencia de tudo
Se prepara, eu tô lock
So precisa de um toque
De um iniciante,
De um iniciante,
De um iniciante
Eu faço tantos planos...

BRASIL

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homem armaram
Pra me convencer
Apagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer
Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartao de credito
É uma navalha
Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negocio
O nome do teu sócio
Confia em mim
Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer

CORONEL ANTÔNIO BENTO

Corone Antonio Bento
No dia do casamento
Da sua filha Juliana
Ele não quis sanfoneiro
Foi pro Rio de Janeiro
Convidou Bene Nunes
Pra tocar, olé, lé, olá, lá
Este dia Bodoco
Faltou pouco pra vira
Todo mundo que mora por ali
Esse dia num pode arresisti
Quando ouvia o toque do piano
Rebolava, saia arrequebrando
Até Zé Macaxera que era o noivo
Dançou a noite inteira sem para
Que é costume de todos que se casa
Fica doído pra festa se acaba

DORA

Dora rainha do frevo e do maracatu
Dora rainha cafuza de um maracatu
Te conheci no recife dos rios cortados de pontes
Dos bairros, das fontes coloniais
Dora, chamei
Oh Dora, oh Dora
Eu vim a cidade pra ver meu bem passar
Oh Dora, e agora?
No meu pensamento eu te vejo requebrando pra cá
Hora pra lá
Meu bem
Os clarins da banda militar
Tocam para anunciar
Sua Dora agora vai passar
Venham ver o que é bom
O Dora rainha do frevo e do maracatu
Ninguém requebra nem dança melhor do que tu

E.C.T.

Tava com um cara que carimba postais
E por descuido abriu uma carta que encontrou
Tomou um susto que lhe abriu a boca
Esse recado veio pra mim, não pro senhor
Recebo crack, crocante, dinheiro farto embrulhado
Em papel carbono é barbante e até cabelo cortado
Retrato de 3x4 pra batizado distante
Mas isso aqui, meu senhor, é uma carta de amor
Levo o mundo e não vou lá
Mas este cara tem a lingua solta
A minha carta ele musicou
Tava em casa, a vitamina pronta
Ouvi no radio a minha carta de amor
Dizendo "eu caso contente, papel passado e presente desembrulhado
Vestido, eu volto logo me espera
Não brigue nunca comigo eu quero ver nosso filho
O professor me ensinou a fazer uma carta de amor...

GATAS EXTRAORDINÁRIAS

O amor me pegou
E eu não descanso enquanto não pegar
Aquela criatura
Saio na noite a procura
O batidao do meu coração na pista escura
Se pego, ui me entrego e fui
Será que ela querera, sera que ela quer
Será que meu sonho influi
Será que meu plano é bom
Será que é no tom
Será que ela se conclui
E as gatas extraordinarias que
Andam nos meios onde ela flui
Será que ela evolui
Será que ela evolui
E se ela evoluir, será que isso me inclui
Tenho que pegar, tenho que pegar
Tenho que pegar essa criatura
Tenho que pegar, tenho que pegar
Tenho que pegar

LANTERNA DOS AFOGADOS

Quando está escuro e ninguém te ouve
Quando chega a noite e você pode chorar
Há uma luz no tunel dos desesperados
Há um cais de porto pra quem precisa chegar
Eu tô na Lanterna dos Afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar oh! oh!
Uma noite longa pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas que já fazem parte
Do que eu sou agora mas ainda sei me virar
Eu tô na Lanterna dos Afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar oh! oh!

MALANDRAGEM

Quem sabe eu ainda sou uma garotinha
Esperando o onibus da escola sozinha
Cansada com minhas meias três-quartos
Rezando baixo pelos cantos
Por ser uma menina ma
Quem sabe o principe virou um chato
Que vive dando no meu saco
Quem sabe a vida e não sonhar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança e não conheço a verdade
Eu sou poeta e não aprendi a amar
Eu sou poeta e não aprendi a amar
Bobeira e não viver a realidade
E eu ainda tenho uma tarde inteira
Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo pra cantar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança e não conheço a verdade
Eu sou poeta e não aprendi a amar
Eu sou poeta e não aprendi a amar

MENINA MIMADA

Foi você que quis ir embora
Agora volta arrependida e chora
Olhar pedindo esmola
Baby, eu conheco sua escola
Quem sabe eu faco um blues em tua homenagem
Eu vou rimar tanta bobagem
Você é tão fácil, menina mimada
De enfeites, brochinhos e queixas
Queixas, queixas, queixas
Foi você mesma quem quis
Foi você que quis ir embora
Agora toca a campainha e cora
Diz que esqueceu a sacola
Baby, eu conheço tua história
O cara já está buzinando lá embaixo
Fazendo papel de palhaço
Cheio de flores, promessas
Menina mimada, você é um fracasso!
Cigarros?
Leva o maço
Foi você mesma quem quis...

METRÔ LINHA 743

Ele ia andando pela rua meio apressado
Ele sabia que tava sendo vigiado
Cheguei pra ele e disse:
Ei amigo! você pode me ceder um cigarro
Ele disse: eu dou, mas vai fumar lado outro lado
Dois homens fumando juntos pode ser muito arriscado
Disse o prato mais caro do melhor banquete
E o que se come cabeça de gente que pensa
Que os canibais de cabeça descobrem que
Aqueles que pensam, porque quem pensa, pensa melhor parado
Desculpe minha pressa, fingindo atrasado
Trabalho em cartorio, mas sou escritor
Perdi minha pena, nem sei qual foi o mês
Metrô linha 743
O homem apressado me deixou e saiu voando
Ai eu me encostei um poste, fiquei fumando,
Três outros chegaram com pistola na mão
Um gritou mão na cabeça, malandro.
Se não quiser levar chumbo quente nos cornos
Eu disse: claro, pois não, mas o que que eu fiz
Se e documento eu tenho aqui
E outro disse: não interessa,
Pouco importa, fique ai
Eu quero e saber o que você estava pensando
Eu avalio o preço me baseando no nível mental
Que você anda por ai usando
Ai eu te digo o preço que a sua cabeça, agora, está custando
Minha cabeça caida, solta no chão
Viu meu corpo sem ela pela 1ª e ultima vez
Metrô linha 743
Jogaram minha cabeça oca no lixo da cozinha
E eu era agora um cerebro
Um cerebro vivo a vinagrete
Meu cerebro logo pensou:
Que seja, mas eu nunca fui tiete
Fui posto a mesa com mais dois
E eram três pratos raros
E foi o maitre que pos
Senti horror ao ser comido com desejo
Por um senhor alinhado
Meu ultimo pedaco antes de ser engolido
Ainda pensou grilado: quem será esse desgracado
Dono dessa zorra toda?
Já ta tudo armado o jogo dos cacadores canibais
Mas o negócio e que tá muito bandeira
E bandeira demais, meu Deus,
Cuidado, Brother, cuidado, sabido senhor
Eu aconselho serio pra vocês
Eu morri, nem sei mesmo qual foi aquele mês
Metrô linha 743

MÚSICA URBANA 2

Em cima dos telhados as antenas de TV
Tocam música urbana
Nas ruas, os mendigos com esparadrapos podres
Cantam música urbana
Motocicletas querendo atencao as três da manhã
E so música urbana
Os PMs armados e as tropas de choque vomitam música urbana
E nas escolas as crianças aprendem a repetir a música urbana
Nos bares, os viciados sempre tentam conseguir a música urbana
O vento forte, seco e sujo em cantos de concreto
Parece música urbana
E a matilha de crianças sujas no meio da rua
Música urbana
E nos pontos de onibus estao todos ali, música urbana
Os uniformes
Os cartazes
Cinemas e os lares
Favelas
Coberturas
Quase todos os lugares e mais uma criança nasceu
Não há mentiras nem verdades aqui
Só há a música urbana

NA CADÊNCIA DO SAMBA

Sei que vou morrer, não sei o dia
Levarei saudades da Maria
Sei que vou morrer, não sei a hora
Levarei saudades da Aurora
Quero morrer numa batucada de bamba
Na cadência bonita do samba
Mas o meu nome ninguém vai jogar na lama
Diz o dito popular
Morre o homem, fica a fama
Quero morrer numa batucada de bamba
Na cadência bonita do samba

NÓS

Eu sei que me disseram por ai
E foi pessoa seria quem falou
Voce tava com saudade de me ver passar por ai
Eu sei que você disse por ai
Que não tava muito bem seu novo amor
Você tava mais querendo era me ver passar por ai
Pois é, esse samba é pra você, o, meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar

O MARGINAL

Não amarga marginal defende o seu pão no pãu
Repousa tua fantasia no mal
Ama teu destino como tal
Não amarga marginal defende o seu pão no pãu
Repousa tua fantasia no mal
Ama teu destino como tal
Tira desse sangue todo o sal
Chama esse seu louco e diga são
Faz do teu delito o vão
Que te permite ver o sol

O MEU MUNDO FICARÍA COMPLETO (COM VOCÊ)

Não é porque eu sujei a roupa bem agora que eu já estava saindo
Nem mesmo por que eu peguei o maior transito e acabei perdendo o cinema
Não é por que não acho o papel onde anotei o telefone que estou precisando
Nem mesmo o dedo que eu cortei abrindo a lata e ainda continua sangrando
Não é por que fui mal na prova de geometria e periga d'eu repetir de ano
Nem mesmo o meu carro que parou de madrugada so por falta de gasolina
Não é por que tá muito frio, não é por que tá muito calor
O problema é que eu te amo
Não tenho dúvidas que com você daria certo
Juntos fariamos tantos planos
Com você o meu mundo ficaria completo
Eu vejo nossos filhos brincando
E depois cresceriam, e nos dariam os netos
A fome que devora alguns milhões de brasileiros
Perto disso já nem tem importáncia
A morte que nos toma a mãe insubstituivel de repente
Dela eu já nem me lembro
A derrota de 50 e a campanha de 70 perdem totalmente o seu sentido,
As datas, fatos e aniversarios passam
Sem deixar o menor vestigio
Injurias e promessas e mentiras e ofensas caem fora
Pelo outro ouvido
Roubaram a carteira com meus documentos
Aborrecimentos que eu já nem ligo
Não é por que eu quis e eu não fiz
Não é por que não fui
E eu não vou
O problema é que eu te amo
Não tenho dúvidas que eu queria estar mais perto
Juntos viveriamos por mil anos
Por que o nosso mundo estaria completo
Eu vejo nossos filhos brincando
Com seus filhos que depois nos trariam bisnetos
Não é por que eu sei que ela não vira que eu não veja a porta já se abrindo
E que eu não queira te-lá, mesmo que não tenha a minima lógica esse raciocinio
Não é que eu esteja procurando no infinito a sorte
Para andar comigo
Se a fé remove até montanhas, o desejo é o que torna o irreal possivel
Não é por isso que eu não possa estar feliz, sorrindo e cantando
Não é por isso que ela não possa estar feliz, sorrindo e cantando
Não vou dizer que eu não ligo, eu digo o que eu sinto e o que eu sou
O problema é que eu te amo
Não tenha dúvidas, pois isso não é mais secreto
Juntos morreriamos, pois nos amamos
E de nos o mundo ficaria deserto
Eu vejo nossos filhos lembrando
Com os seus filhos que já teriam seus netos

O SEGUNDO SOL

Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as orbitas dos planetas
Derrubando com assombro exemplar
O que os astronomos diriam se tratar
De um outro cometa

Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar

Mas você pode ter certeza
Que seu telefone ira tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluida nessa minha conversão

Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora e vi dois sois num dia
É a vida que ardia
Sem explicação

PALAVRAS AO VENTO

Ando por ai querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança
Em seu lugar
Que o nosso amor pra sempre viva
Minha dadiva
Quero poder jurar que essa paixão jamais sera
Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras momento
Palavras, palavras
Palavras, palavras
Palavras ao vento

POR ENQUANTO

Mudaram as estações e nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Esta tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre, sem saber
Que o pra sempre sempre acaba ?
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguem só penso em você
E ai entao estamos bem
Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa

PRECISO DIZER QUE TE AMO

Quando a gente conversa
Contando casos besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo (que medo...)
Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que te amo, tanto
E até o tempo passa arrastado
Só para eu ficar ao teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre, e acaba comigo
É nessa novela eu não quero
Ser teu amigo (que amigo!)
Que eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Que eu preciso dizer que eu te amo, tanto

PRO DIA NASCER FELIZ

Todo dia a insonia me convence que o céu
Faz tudo ficar infinito
E que a solidão é pretensão de quem fica
Escondido fazendo fita
Todo dia tem a hora da sessão coruja
Só entende quem namora
Agora 'vão bora'
Estamos meu bem por um triz pro dia nascer feliz
O mundo acordar e a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar e a gente dormir
Todo dia e dia e tudo em nome do amor
Essa é a vida que eu quis
Procurando vaga uma hora aqui, a outra ali
No vai-e-vem dos teus quadris
Nadando contra a corrente só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Me dê de presente o teu PIS pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar e a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar e a gente dormir

SAUDADE FEZ UM SAMBA

Deixa que meu samba
Sabe tudo sem você
Não acredito que meu samba
Só dependa de você

A dor é minha em mim doeu
A culpa é sua o samba é meu
Então não vamos mais brigar
Saudade fez um samba em seu lugar

SOCORRO

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro, alguma alma mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor nem dor
Já não sinto nada
Socorro, alguem me de um coração
Que esse já nao bate nem apanha
Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me de sentido
Em qualquer cruzamento,
Acostamento,
Encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada

TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA

Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
Que ser artista no nosso convivio
Pelo inferno e ceu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tedio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotônia
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanco em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remedio pra dar alegria

UM BRANCO, UM XIX, UM ZERO

Você partiu e me deixou
Sem lamentar o que passou
Sem me apegar ao que apagou
E acabou
Não me lembro bem da sua cara
Qual a cor dos olhos
Já nem sei
So o cheiro do seu cheiro
Não que me deixar mais em paz
Nos ares dos lugares
Onde passo e onde nunca estas
Você partiu e não voltou
Eu já esqueci o que me falou
Se prometeu ou se jurou
Seu amor
Já não me recordo mais seu nome
Quais os outros nomes
Que te dei
So o cheiro do seu cheiro
Não consegue ser tão fugaz
Nas pessoas, peles, colos
Sexo, boca, onde nunca estas
Você partiu e foi melhor
E eu já me esqueci de cor
Do som, do ar, do tom, da voz
E de nós
Já passei um pano
Um branco, um zero, um xis
Um traco, um tempo, ja passei
Só o cheiro do seu cheiro
Não consigo deixar para trás
Impregnado o dia inteiro
Nessa roupa que não tiro mais



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