História de Amor

Rede Globo - 18h

de 3 de julho de 1995 a 2 de março de 1996

Suave Veneno

Novela de Manoel Carlos

Direção: Ricardo Waddington, Roberto Naar e Alexandre Avancini

Elenco

Regina Duarte Sebastião Vasconcelos Fernando Wellington
José Mayer Cristina Mullins Izabella Bicalho
Carolina Ferraz Cláudia Lira Beth Lamas
Lília Cabral Beatriz Lyra Rosane Gofman
Carla Marins Sérgio Viotti Maria Alves
Ângelo Paes Leme Ilva Niño Júlia Almeida
Nuno Leal Maia Hugo Gross Gláucia Rodrigues
Eva Wilma Monique Curi Paula de Paula
Cláudio Correia e Castro Anna Aguiar Cláudia Paiva
Marly Bueno Cristina Prochaska Ingrid Fridman
Umberto Magnani Buza Ferraz André Ricardo
Cláudio Lins Fábio Junqueira Edson Silva
Maria Ribeiro Christine Fernandes Nica Bonfim
Yara Cortes Dennis Carvalho Jorge Coutinho
José de Abreu Guilherme Faro Joyce Santos
Cláudia Mauro Flávia Alessandra Úrsula Corona
Bia Nunnes Marcelo Saback Thomas Morkos
Ricardo Petraglia Giácomo Pinotti Ênio Santos
Ana Rosa Mônica Carvalho  

Abertura

A Trama

História de Amor tem como eixo principal um quadrilátero amoroso. O endocrinologista Carlos Alberto Moretti (José Mayer) viveu um romance de dez anos com Sheila (Lilia Cabral), mas acaba se casando com Paula (Carolina Ferraz). Ao longo da trama, no entanto, envolve-se com Helena (Regina Duarte), o que não impede Sheila e Paula de continuarem a disputá-lo.

O casamento de Carlos e Paula acontece depois de uma grande confusão. No caminho para a igreja, o médico se depara com um jovem casal, Joyce (Carla Marins) e Caio (Ângelo Paes Leme), brigando. O rapaz empurra a moça do jipe, e Carlos atrasa a sua chegada à igreja para levar a jovem para a sua clínica. Lá, ela lhe revela estar grávida. Apesar do tumulto, Carlos chega a tempo para a cerimônia e se casa com Paula, já histérica. Sem querer romper a tradição de chegar depois do noivo à porta da igreja, a noiva passa maus momentos esperando Carlos em uma rua próxima, em companhia do pai, Rômulo (Cláudio Corrêa e Castro). Carlos chega a tempo, só não tira a cena da agressão e a história de Joyce da cabeça. E é através da moça que ele conhece e se encanta por Helena, mãe de Joyce e ex-mulher de Assunção (Nuno Leal Maia). Ao se separar de Paula, Carlos investe em um relacionamento com Helena. Paralelamente, o médico continua sendo assediado por Sheila, que investe, a qualquer custo, em uma reaproximação.

Ao longo da trama, Joyce descobre que a irmã de Helena teve um romance com Assunção, o que resultou em uma gravidez. Só que a moça morre em um acidente, quando o bebê tinha apenas três meses de vida. A criança era Joyce, que Helena assumiu e cuidou como filha. Joyce fica transtornada com a descoberta, revolta-se contra Helena, mas, no penúltimo capítulo, as duas se abraçam e choram, em uma reconciliação comovente.

Enredo

Helena é uma mulher doce, honesta, sensível e muito guerreira que enfrenta a gravidez prematura da filha Joyce, que por sua vez, é abandonada pelo namorado, o irresponsável Caio. O maior problema é o pai da moça, Assunção, ex-marido de Helena, que não se conforma com a situação. Solitária, ela desperta uma paixão pelo endocrinologista Carlos Alberto, e tem seus sentimentos correspondidos. Porém, Carlos é comprometido com a possessiva Paula, loucamente apaixonada por ele, que sofre com os constantes ataques de ciúmes. Os pais da moça, Zuleika e Rômulo aguardam ansiosos o casamento da filha com o médico, que salvará a família da decadência financeira.

Carlos é o tipo de homem que as mulheres realmente não esquecem. Mesmo casado com Paula e apaixonado por Helena, ele ainda é assediado pela ex-mulher Sheila, que não se conforma por tê-lo perdido, e sonha com uma reaproximação.

Produção

Após o fracasso do remake de Irmãos Coragem, uma trama rural, a Globo retornou a uma trama urbana com História de Amor, “Eu escrevo sempre a mesma novela”, disse Manoel Carlos, o autor. “Sem inovações, queremos recuperar o folhetim”, disse Ricardo Waddington, o diretor. Por determinação do Ministério da Justiça, Manoel Carlos modificou a história, imprópria para o horário, onde havia criado um triângulo amoroso onde Joyce (Carla Marins) disputaria o amor de Carlos (José Mayer) com sua mãe Helena (Regina Duarte), o autor não sabia que a novela seria exibida no horário das 18 horas, e declarou que havia modificado o enredo antes mesmo da decisão do Ministério. Este enredo seria apresentado em Laços de Família. Outra razão seria o fato do perfil dos personagens coincidirem com os de A Próxima Vítima, a novela das oito na época, entre os exemplos, estão a mudança do nome do personagem de José Mayer, que seria Marcelo, nome do personagem de José Wilker em A Próxima Vítima e o pai do médico que teria uma cantina e não um bar, a mudança também veio por causa da novela de Sílvio de Abreu.

Temas sociais como o câncer de mama da personagem Marta (Bia Nunnes) levou a uma carta do Instituto Nacional do Câncer mostrando um aumento no número de exames preventivos. O personagem Assunção (Nuno Leal Maia) fica paraplégico após um acidente de carro, recuperando a vontade de viver através do esporte, o então ministro do Ministério do Esporte, Pelé, participou da trama sendo entrevistado por Assunção que fica famoso em seu programa esportivo. A novela fez com que Carla Marins, que interpreta Joyce, repensasse seu relacionamento com a mãe.

Uma carta publicada no Jornal do Brasil fez com que o visual de Regina Duarte fosse mudado, dizendo “O que está havendo com o cabelo da Regina Duarte? Tenho duas dicas: uma permanente afro ou um corte na altura do pescoço. Aquela trança dá a ela um aspecto de favelada.”

Críticas

Pouco após a estreia, Sérgio d’Ávila, da Folha de S.Paulo, disse que “Valeu o dito. “História de Amor”, a nova novela das seis da Globo, que estreou anteontem, é a mesma novela de sempre. Era para ser já com “Irmãos Coragem”. Nada melhor que o “remake” de um sucesso para deixar claro o desejo de inovar cada vez menos a teledramaturgia da casa. Mas mudou a direção e o estilo de filmagem no meio do jogo, e a emissora não pôde voltar ao tradicional. Com “História de Amor” deve conseguir. A cena inicial garante que não haverá sustos no decorrer do período: pôr-do-sol, gaivotas, Corcovado e fundo musical de Ivan Lins. O núcleo central é o triângulo amoroso formado por José Mayer, com a excitante profissão de endocrinologista; Carolina Ferraz, estreando como protagonista; e Regina Duarte, no papel que faz melhor, o de Regina Duarte. Lembra da Raquel Aciolli, de “Vale Tudo”? Pois já no primeiro capítulo de “História de Amor” Regina foi amiga dos feirantes, brigou com a filha-problema e chorou. Chorou duas vezes. E José Mayer foi o galã honesto, mas dividido em seu amor. Como o Pedro de “Pátria Minha”. E Nuno Leal Maia garantiu o núcleo humorístico com seu personagem machão. Como Tony Carrado em “Mandala” e Bertazzo em “Vereda Tropical”. E a abertura parece aqueles vídeos que recém-casados fazem questão de mostrar logo após a lua-de-mel. Não, “História de Amor” não é ruim. Manoel Carlos é competente (fez “Malu Mulher”), Waddington é talentoso (dirige “Quatro por Quatro”). Só que a nova novela das seis na Globo não é nova.”

Fotos

Carla Marins Carla Marins Carolina Ferraz José Mayer e Regina Duarte Lilia Cabral Cláudio Correa e Castro e Dennis Carvalho