Falamansa

ASAS

Lalalauê, lalalauêlalaia

Você pareçe um anjo

Só que não tem asas, ai ai

Por favor quando asas tiver

Fosse lá em casa

E ao sair

Com as estrelas eu vou te levar

Com a ajuda da brisa do mar

Te mostrar onde ir

E ao chegar

Apresento a lua e o sol

E no céu vai ter muito mais farol

É a luz do teu olhar

Eu não sou muleque

Ainda não tenho casa, ai ai

Oh, meu Deus se um dia eu tiver

Risco minhas asas


AVISA

Quero ver quem segura essa barra

Até a hora que eu voltar

Vou sair pra preencher um vazio no peito

Tô meio sem jeito de falar

Quero ver se eu cair agora

Quem é que vai me levantar

Já pedi ao sol

Já pedi ao mar

Já pedi à lua

Às estrelas do céu já pedi

Quase tudo que consegui

Eu ganhei da rua

Deixo na mão de quem quiser

Deixo na mão de quem quiser

Deixo na mão de quem quiser

É que eu não sou um ator

E se eu sinto dor

Tenho que chorar

Avisa,avisa, avisa , avisa

Avisa

Se o sol brilhar de novo no horizonte

Avisa

E pode ter certeza que eu tô lá pra ver

Avisa

Se a liberdade te trair e precisar de alguém

Avisa

Ou se tudo correr bem e não precisar

Avisa

Parece até que o vento traz o sentimento

Avisa

Ele nem faz questão de nos avisar

Avisa

Pro vento que traz sofrimento

Que sopre pra outro lugar

Avisa

Pro vento que traz amor

Não vejo a hora de você chegar


DESAFORO

Eu vim aqui pra te dizer que vou me embora

Por favor, não chora, por favor, não chora

É que na verdade eu já cansei de ser mal tratado

Preciso de alguém do meu lado

E sei que com você já não pode ser

Mas eu tô carente felizmente consciente

Porque eu sei que de repente

A gente volte a se ver, a se ver

Mas agora é tarde não aguento desaforo

Sentimento vale ouro

Vim aqui pra te dizer

Não chora

Mas de repente vejo uma lágrima em seu olhar

Penso até em duvidar, mas começo a entender

Quando você tem é que você despreza um grande amor

Mas quando perde, a coisa muda

Aí é que você dá valor

Quando você tem é que você despreza um grande amor

Mas quando perde, a coisa muda

Aí é que você da valor

Não chora


FALAMANSA SONG

Ela ouviu dizer que o som é bom

E mandou me chamar

Dizem por aí que é do bom

Faz você se ligar

Fala manso fala baixo pra eu dormir

Fala pouco não precisa repetir

Do mais

Fala manso aê o rapaz


FORRÓ EM TÓQUIO

Forró em Tóquio, toque, toque xote,

Sanfoneiro toque xote no forró de Tóquio

Forró de Tóquio, eta forró legal,

Era um forró miojo lá minha oriental,

O sanfoneiro era Michiú,

Cansou de levar porrada de lutar em kung-fú,

No lugar da xiboquinha tinha o saquê,

Dançando o japa só gritava, isso é melhor que karatê,

A mulherada, toda apreensiva,

Tem gringo na festa, e eu fiquei na defensiva,

Esse forró num é pra estrangeiro,

Então eu disse, como pode, se o forró é brasileiro,

O samuray estava aperreado,

Pois pra entrar na dança ele deixou a espada de lado,

E no final a surpresa é geral,

Dançava até o Tamagochi, aquele bicho virtual


MEDO DE ESCURO

Tem dias que a gente acorda

Com medo do escuro

Tem dias que a gente dorme

E sente-se inseguro

Então quando a gente acorda

Acende a luz pra ver

Percebo que já tenho tudo

Só falta você

A cor do mar

O céu azul

O vento lá sopra pro sul

E a cor da areia se confunde

Com seu corpo nú


MINHA GATA

Parei, nessa coisa fofa

É muito linda é meia louca

Mas é bom é de endoidar

Zoin de gata siamesa

Eu vejo uma pessoa presa, e a gente fica demente

Pedindo pra se arranhar

Ai, ui, ui, minha gata se machuca, me arranha gostoso

Ai, ui, ui minha gata prepara pra murrer de gozo


ORAÇÃO

Sinhô !? Ô sinhô !

Meu sinhô, lhe fiz essa oração

Que não fala de vinho nem pão

O que eu peço é o que todo homem quer

Casa, comida e mulher

O que eu peço, senhor tenha dó

Que nunca se acabe esse tal de forró

Sinhô !? Ô sinhô !

Meu sinhô, lhe fiz essa oração

Que não fala de vinho nem pão

O que eu peço é o que todo homem quer

Casa, comida e mulher

E um pouco de carinho pros abandonados

Que se faça justiça com cabra safado

Que vença o mais forte e que esse seja eu

E que vença todo mundo, mesmo quem perdeu

Porque o povo tá ficando até acostumado

De ver tudo dando tão errado

Mesmo assim segue em frente, valente e prefere lutar

E hoje, se eu sou um filho desgarrado

Se me queixo de não ser amado

Mesmo assim, sigo em frente e vou se preciso for

Mudar


TÔ RINDO À TOA

Tô numa boa tô aqui de novo

Daqui não saio daqui não me movo

Tenho certeza esse é o meu lugar.

Tô numa boa, tô ficando esperto

Já não pergunto se isso tudo é certo

Uso esse tempo pra recomeçar.

Doeu… doeu…

Agora não dói, não dói, não dói,

Chorei… chorei…

Agora não choro mais.

Toda mágoa que passei

É motivo pra comemorar

Pois se não sofresse assim

Não tinha razões pra cantar.

Rárárárárárá

mas eu tô rindo a toa

não é que a vida esteja assim tão boa

mas um sorriso ajuda a melhorar.

e cantando assim parece que o tempo voa

quanto mais triste mais bonito soa

eu agradeço por poder cantar.


XOTE DOS MILAGRES

Escrevi seu nome na areia

O sangue que corre em mim sai da tua veia

Veja só você é a única que não me da valor

Então por que será que esse valor é o que eu ainda quero ter

Tenho tudo nas mãos mas mais não tenho nada

Então melhor é não ter nada e lutar pelo que se quer

E mas peraí ouça o forró tocando

E muita gente ai

Mas não é hora pra chorar

Porém não é pecado se eu falar de amor

Se eu canto sentimento e seja ele qual for

Me leve onde eu quero ir

Se quiser também pode vir

Escuta meu coração

Que bate no compasso da zabumba de paixão.

Eh … pra surdo ouvir

Pra cego ver que

Esse xote faz milagre acontecer


ZECA VIOLEIRO

Zeca Violeiro não fazia o que queria

Tinha medo de morrer

Zeca violeiro não fazia o que queria

Tinha medo de morrer

O seu irmão cabra macho forasteiro

Tomou três tiros no peito por que sabia viver

Zeca sabia todo mundo morre um dia

Quase sempre ele dizia: antes todos do que eu

Zeca violeiro, Zeca violeiro, Zeca violeiro

Olelê, Zeca Violeiro

Zeca violeiro não fazia o que queria

Tinha medo de morrer

Zeca morava dentro de um carro forte

Não brincava com a sorte

Só queria sobreviver

Se alimentava à base do natural

E como era previnido tinha um quarto no hospital

Zeca violeiro, Zeca violeiro, Zeca violeiro

Olelê, Zeca Vileiro

Zeca violeiro não fazia o que queria

Tinha medo de morrer

Morreu juiz, prostituta, vagabundo

Zeca sozinho no mundo aprendeu sua lição

Das mortes todas a de Zeca foi a pior

Porque Zeca morreu de solidão